terça-feira, 14 de março de 2017

O Parabenizando de hoje Bahia vai para: Castro Alves, o poeta dos Escravos!


Castro Alves (1847-1871) foi um importante poeta brasileiro, o último grande poeta da terceira geração romântica no Brasil. “O poeta dos escravos”.
Antônio Frederico de Castro Alves nasceu no município de Muritiba, na Bahia, no dia 14 de março de 1847. Em 1847 mudou-se com a família para Salvador onde fez os estudos secundários. Cursou Direito no Recife, onde se destacou pela defesa das ideias liberais e abolicionistas.
Em companhia da atriz Eugênia Câmara, por quem se apaixonou, foi para São Paulo, onde concluiu o curso de Direito. Travou contato com Rui Barbosa e Joaquim Nabuco. O rompimento com Eugênia deixou o poeta numa crise de profunda melancolia. Dedicou-se a caçadas nos arredores da cidade, numa delas feriu o pé com um tiro de espingarda. Removido para o Rio de Janeiro, teve que amputar o pé. Agravou-se sua enfermidade pulmonar.
Castro Alves retornou a Salvador e em 1870, ano em que publica “Espumas Flutuantes”, único livro editado em vida. Sua poesia apresenta dois aspectos distintos: a poesia lírico-amorosa, onde a mulher aparece real e sensual, e a poesia social, em que defende as grandes causas da liberdade e da justiça, e da campanha contra a escravidão.
O “Navio Negreiro” é um poema épico-dramático que integra a obra “Os escravos” e ao lado de “Vozes d’África, da mesma obra, vem a ser uma das principais realizações de Castro Alves, onde denuncia a escravidão e faz uma recriação poética das cenas dramáticas do transporte de escravos no porão dos navios negreiros, relatos que ouviu de escravos com quem conviveu na Bahia, quando menino.
Vitimado pela tuberculose, Castro Alves faleceu em Salvador, no dia 06 de julho de 1871. Sua obras póstumas foram: "Gonzaga ou A Revolução de Minas" (1875), "A Cachoeira de Paulo Afonso" (1876) e "Os Escravos" (1883).

Algumas de suas obras:

Amor è um carpinteiro
Que ri com ar de metrei-o,
Cerrando forte e ligeiro
Na tenda do coração...
Põe pregos de resistência,
Ferrolhos na consciência,
Tranca as portas da razão
Adelaide de Castro Alves Guimarães
 "Adeus" de Teresa

A vez primeira que eu fitei Teresa,
Como as plantas que arrasta a correnteza,
A valsa nos levou nos giros seus
E amamos juntos E depois na sala
"Adeus" eu disse-lhe a tremer co'a fala

E ela, corando, murmurou-me: "adeus."

Uma noite entreabriu-se um reposteiro. . .
E da alcova saía um cavaleiro
Inda beijando uma mulher sem véus
Era eu Era a pálida Teresa!
"Adeus" lhe disse conservando-a presa

E ela entre beijos murmurou-me: "adeus!"

Passaram tempos seculos de delírio
Prazeres divinais gozos do Empíreo
... Mas um dia volvi aos lares meus.
Partindo eu disse - "Voltarei! descansa!. . . "
Ela, chorando mais que uma criança,

Ela em soluços murmurou-me: "adeus!"

Quando voltei era o palácio em festa!
E a voz d'Ela e de um homem lá na orquestra
Preenchiam de amor o azul dos céus.
Entrei! Ela me olhou branca surpresa!
Foi a última vez que eu vi Teresa!

E ela arquejando murmurou-me: "adeus!"
Castro Alves

O laço de fita

Não sabes, criança? 'Estou louco de amores...
Prendi meus afetos, formosa Pepita.
Mas onde? No templo, no espaço, nas névoas?!
Não rias, prendi-me
Num laço de fita.

Na selva sombria de tuas madeixas,
Nos negros cabelos da moça bonita,
Fingindo a serpente qu'enlaça a folhagem,
Formoso enroscava-se
O laço de fita.

Meu ser, que voava nas luzes da festa,
Qual pássaro bravo, que os ares agita,
Eu vi de repente cativo, submisso
Rolar prisioneiro
Num laço de fita.

E agora enleada na tênue cadeia
Debalde minh'alma se embate, se irrita...
O braço, que rompe cadeias de ferro,
Não quebra teus elos,
Ó laço de fita!

Meu Deus! As falenas têm asas de opala,
Os astros se libram na plaga infinita.
Os anjos repousam nas penas brilhantes...
Mas tu... tens por asas
Um laço de fita.

Há pouco voavas na célere valsa,
Na valsa que anseia, que estua e palpita.
Por que é que tremeste? Não eram meus lábios...
Beijava-te apenas...
Teu laço de fita.

Mas ai! findo o baile, despindo os adornos
N'alcova onde a vela ciosa... crepita,
Talvez da cadeia libertes as tranças
Mas eu... fico preso
No laço de fita.

Pois bem! Quando um dia na sombra do vale
Abrirem-me a cova... formosa Pepital
Ao menos arranca meus louros da fronte,
E dá-me por c'roa...
Teu laço de fita.
Castro Alves
Fonte: Google, O Pensador
Lindaiá Campos