segunda-feira, 12 de março de 2018

Resenha: Belas Maldições (As justas e precisas Profecias de Agnes Nutter, Bruxa)





Meu primeiro contato com Neil Gaiman foi na semana nerd, quando ganhei em um sorteio o livro Deuses Americanos daí em diante não parei mais. Sempre que posso furo a fila com algum livro dele e essa foi a melhor “furada” de todos os tempos.

Acredito eu que em nenhum outro lugar você verá o inferno ser contado de maneira tão divertida, quanto em Belas Maldições. A obra é basicamente baseada em um que é considerado o único verdadeiro livro de profecias, escrito em 1655, por uma bruxa Agnes Nutter, pouco antes de ela explodir e deixada de herança para sua descendência. Segundo ele, o mundo vai acabar em um belo sábado, pouco antes da hora do jantar. No próximo Sábado para falar a verdade.

O livro narra os quatro últimos dias anteriores ao fim do mundo e em meio a bebes, usinas nucleares, freiras diabólicas, tibetanos, os quatro cavaleiros do apocalipse, ou melhor, dizendo, os quatro motoqueiros, um caçador de bruxas viciado em mamilos e leite condensado. Tudo isso em uma trama divertida com carros em chamas, explosões e um cão do inferno que todos gostariam de ter.

O casamento da ironia de Terry Pratchett e a fantasia de Neil Gaiman fizeram do apocalipse uma história engraçada, inusitada, divertida e encantadora e tratando-se do assunto que se trata, as cenas mais engraçadas que já vi na literatura.

É maestral a forma como utilizam do sarcasmo e da ironia para mostrar os nossos defeitos e tratar das nossas esquisitices humanas, que vamos combinar, não são poucas. Construindo uma narrativa com diversas referencia externa que vão desde o cotidiano londrino, quadrinhos, cinema, música até clássicos da literatura. Várias notas de rodapé no decorrer da trama dão um ton cômico, se inserindo de uma forma completamente natural na narração, genial.

Gostei muito Crowley eAziraphale. Os dois tratatam o céu e o inferno como duas empresas concorrentes, procurando a melhor forma de fazer os seus trabalhos, se reúnem de forma casualmente para tratar de negócios, fechando contratos que agradem seus superirores. Fisosofam sobre o bem e o mal, as atitudes das pessoas, o plano inefável de Deus.



O Inferno não era um grande reservatório de maldade, não mais do que o Céu, na opinião de Clowley, era uma fonte de bondade. Eles eram apenas lados do grande jogo de xadrez cósmico. Onde se encontrava a coisa em si, a verdadeira graça e a verdadeira treva de maldade, era bem no interior da mente humana.”




Durante essa busca eles dois iram encotrar muitas coisas inusitadas divertidas e até mesmo perigosas, várias pessoas como Anathema, uma jovem ocultista, dona de “As Justas e Precisas Profecias de Agnes Nutter, a Bruxa”  -  guardem esse nome galera e se tiverem a chance leiam esse livro, Agnes é uma das bruxas mais sagazes e marotas que eu já li  -  , um livro importantíssimo de profecias escrito no século XVII.

Os dias finais carregam reflexões sobre a nossa própria natureza, sobre a fé e sobre a consequência de vários atos, em meio ao caos que o maior evento da Terra já sofreu é contado sempre com o toque imaginativo de Gaiman e o humor do eloquente Pratchett.
Um livro que falam sobre o comportamento humano. Como as opinões de Clowley e Aziraphale, que falam muito sobre o comportamento humano. Eles não creditam os atos bons e maus a feitos próprios, mas a predisposição do homem de escolher o que fazer. Mostra que muitas vezes, o bem pode ser o mal, e vice-versa. Todas as personagens tem algo para passar, e ensinam a dar valor a vida, por mais simples que ela seja.
Um manual de como viver, de como manter o mundo funcionando.




#vcnpdeixardeler