terça-feira, 4 de outubro de 2016

Vitrine: Todo dia é dia das crianças para o Você não pode deixar de ler!

“Ó que saudades que tenho da aurora da minha vida
Da minha infância querida que os anos não trazem mais”


Olá  como estão?  


                                 
Interessante como ainda criança essa foi a primeira poesia que aprendi de có e salteado, a vi em um livro meu de Português da escola, apesar de pequena, não me lembro muito bem da minha idade na época, mais eu tinha menos de 10 anos, é tudo que posso afirmar.
Essa poesia me tocava fundo, quantas vezes me peguei chorando na época sem nem saber muito bem porque, em apenas ler essa poesia? 
 Parecia está prevendo o futuro, o meu, o seu o de todos nós....

E hoje decidir compartilhar com vocês essa obra tão linda e que tantas vezes me emocionou como agora, feliz dia das crianças, pois o dia delas é todo dia e mais uma vez, idade é apenas um estado de espirito.

Lindaiá Campos


MEUS OITO ANOS


Oh! que saudades que tenho



Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais!
Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras
À sombra das bananeiras,
Debaixo dos laranjais!
Como são belos os dias
Do despontar da existência!
— Respira a alma inocência
Como perfumes a flor;
O mar é — lago sereno,
O céu — um manto azulado,
O mundo — um sonho dourado,
A vida — um hino d'amor!
Que aurora, que sol, que vida,
Que noites de melodia
Naquela doce alegria,
Naquele ingênuo folgar!
O céu bordado d'estrelas,
A terra de aromas cheia
As ondas beijando a areia
E a lua beijando o mar!
Oh! dias da minha infância!
Oh! meu céu de primavera!
Que doce a vida não era
Nessa risonha manhã!
Em vez das mágoas de agora,
Eu tinha nessas delícias
De minha mãe as carícias
E beijos de minha irmã!
Livre filho das montanhas,
Eu ia bem satisfeito,
Da camisa aberta o peito,
— Pés descalços, braços nus
— Correndo pelas campinas
A roda das cachoeiras,
Atrás das asas ligeiras
Das borboletas azuis!
Naqueles tempos ditosos
Ia colher as pitangas,
Trepava a tirar as mangas,
Brincava à beira do mar;
Rezava às Ave-Marias,
Achava o céu sempre lindo.
Adormecia sorrindo
E despertava a cantar!
................................
Oh! que saudades que tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais!
— Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras
A sombra das bananeiras
Debaixo dos laranjais!


As primaveras - 1859
Casimiro de Abreu