sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Parabenizando: De hoje vai para Edgard Allan Poe e Euclides da Cunha!




Olá galera!

Peço desculpas pelo atraso, pois essa postagem deveria ter sido feita ontem....mais infelizmente não conseguir. Então estive pensando, ontem foi aniversário de Poe o poeta macabro e hoje Euclides da Cunha!

Divirtam-se.


Edgar Allan Poe foi um autor, poeta, editor e crítico literário estadunidense, integrante do movimento romântico estadunidense.

Nascimento: 19 de janeiro de 1809, Boston, Massachusetts, EUA
Falecimento: 7 de outubro de 1849, Baltimore, Maryland, EUA
Contos: O Coração Revelador, A Queda da Casa de Usher, mais
Poemas: The Raven, Annabel Lee, The Bells, Lenore, Eldorado, mais
Peças: Politian

Mais de duzentos anos após o seu nascimento Poe ainda continua sendo atual, pode ter certeza.
Sua obra possui um catalogo em todos os continentes, nos mais diferentes idiomas, e é tema comum em teses de mestrado. Do mundo acadêmico para cultura pop, de tempos em tempos as histórias fantásticas do autor ganham novas adaptações no cinema, TV, literatura.
De Iron Maiden a Green Day e Os Simpsons;
De Vincent Price a Tim Burton;
Nos quadrinhos de Neil Gaiman ou nas sérias The Following e na brasileira Edgar.
Para onde você for, existe o toque desse gênio, chegou a hora, a sua vez de conhecer ou de reencontrar a obra original de toda a sua grandeza, o que acham?

Os contos que mudaram os rumos da literatura ocidental, os personagens eternos, a prosa, a poesia escrita à pena, manchadas de sangue, as histórias do detetive Auguste Dupim que serviu de inspiração para criação de Sherlock Holmes, enfim vou postar para vocês uma edição a altura do mestre, e o que é melhor: esse é apenas o primeiro volume.

#euquero


O poema mais clássico do Edgar Allan Poe e um dos mais geniais, tanto sonoramente, com suas rimas super bem elaboradas e jogos fonéticos, quanto pela questão de sentido ambíguo e complexo. O corvo da história representa a morte e o pesar do personagem, que sofre pela perda de sua mulher amada, Lenore. É tão genial e profundo quanto macabro! 

Esse poema foi lançado em 29/01/1845, ou seja: mais um parabenizando esse mês!


O CORVO

Em certo dia, à hora, à hora
Da meia-noite que apavora,
Eu caindo de sono e exausto de fadiga,
Ao pé de muita lauda antiga,
De uma velha doutrina, agora morta,
Ia pensando, quando ouvi à porta
Do meu quarto um soar devagarinho
E disse estas palavras tais:
"É alguém que me bate à porta de mansinho;
Há de ser isso e nada mais."

Ah! bem me lembro! bem me lembro!
Era no glacial dezembro;
Cada brasa do lar sobre o chão refletia
A sua última agonia.
Eu, ansioso pelo sol, buscava
Sacar daqueles livros que estudava
Repouso (em vão!) à dor esmagadora
Destas saudades imortais
Pela que ora nos céus anjos chamam Lenora,
E que ninguém chamará jamais.

E o rumor triste, vago, brando,
Das cortinas ia acordando
Dentro em meu coração um rumor não sabido
Nunca por ele padecido.
Enfim, por aplacá-lo aqui no peito,
Levantei-me de pronto e: "Com efeito
(Disse) é visita amiga e retardada
Que bate a estas horas tais.
É visita que pede à minha porta entrada:
Há de ser isso e nada mais."

Minha alma então sentiu-se forte;
Não mais vacilo e desta sorte
Falo: "Imploro de vós - ou senhor ou senhora -
Me desculpeis tanta demora.
Mas como eu, precisando de descanso,
Já cochilava, e tão de manso e manso
Batestes, não fui logo prestemente,
Certificar-me que aí estais."
Disse: a porta escancaro, acho a noite somente,
Somente a noite, e nada mais.

Com longo olhar escruto a sombra,
Que me amedronta, que me assombra,
E sonho o que nenhum mortal há já sonhado,
Mas o silêncio amplo e calado,
Calado fica; a quietação quieta:
Só tu, palavra única e dileta,
Lenora, tu como um suspiro escasso,
Da minha triste boca sais;
E o eco, que te ouviu, murmurou-te no espaço;
Foi isso apenas, nada mais.

Entro co'a alma incendiada.
Logo depois outra pancada
Soa um pouco mais tarde; eu, voltando-me a ela:
"Seguramente, há na janela
Alguma coisa que sussurra. Abramos.
Ela, fora o temor, eia, vejamos
A explicação do caso misterioso
Dessas duas pancadas tais.
Devolvamos a paz ao coração medroso.
Obra do vento e nada mais."

Abro a janela e, de repente,
Vejo tumultuosamente
Um nobre Corvo entrar, digno de antigos dias.
Não despendeu em cortesias
Um minuto, um instante. Tinha o aspecto
De um lord ou de uma lady. E pronto e reto
Movendo no ar as suas negras alas.
Acima voa dos portais,
Trepa, no alto da porta, em um busto de Palas;
Trepado fica, e nada mais.

Diante da ave feia e escura,
Naquela rígida postura,
Com o gesto severo - o triste pensamento
Sorriu-me ali por um momento,
E eu disse: "Ó tu que das noturnas plagas
Vens, embora a cabeça nua tragas,
Sem topete, não és ave medrosa,
Dize os teus nomes senhoriais:
Como te chamas tu na grande noite umbrosa?"
E o Corvo disse: "Nunca mais."

Vendo que o pássaro entendia
A pergunta que lhe eu fazia,
Fico atônito, embora a resposta que dera
Dificilmente lha entendera.
Na verdade, jamais homem há visto
Coisa na terra semelhante a isto:
Uma ave negra, friamente posta,
Num busto, acima dos portais,
Ouvir uma pergunta e dizer em resposta
Que este é o seu nome: "Nunca mais."

No entanto, o Corvo solitário
Não teve outro vocabulário,
Como se essa palavra escassa que ali disse
Toda sua alma resumisse.
Nenhuma outra proferiu, nenhuma,
Não chegou a mexer uma só pluma,
Até que eu murmurei: "Perdi outrora
Tantos amigos tão leais!
Perderei também este em regressando a aurora."
E o Corvo disse: "Nunca mais."

Estremeço. A resposta ouvida
É tão exata! é tão cabida!
"Certamente, digo eu, essa é toda a ciência
Que ele trouxe da convivência
De algum mestre infeliz e acabrunhado
Que o implacável destino há castigado
Tão tenaz, tão sem pausa, nem fadiga,
Que dos seus cantos usuais
Só lhe ficou, na amarga e última cantiga,
Esse estribilho: "Nunca mais."

Segunda vez, nesse momento,
Sorriu-me o triste pensamento;
Vou sentar-me defronte ao Corvo magro e rudo;
E mergulhando no veludo
Da poltrona que eu mesmo ali trouxera
Achar procuro a lúgubre quimera.
A alma, o sentido, o pávido segredo
Daquelas sílabas fatais,
Entender o que quis dizer a ave do medo
Grasnando a frase: "Nunca mais."

Assim, posto, devaneando,
Meditando, conjecturando,
Não lhe falava mais; mas se lhe não falava,
Sentia o olhar que me abrasava,
Conjecturando fui, tranqüilo, a gosto,
Com a cabeça no macio encosto,
Onde os raios da lâmpada caiam,
Onde as tranças angelicais
De outra cabeça outrora ali se desparziam,
E agora não se esparzem mais.

Supus então que o ar, mais denso,
Todo se enchia de um incenso.
Obra de serafins que, pelo chão roçando
Do quarto, estavam meneando
Um ligeiro turíbulo invisível;
E eu exclamei então: "Um Deus sensível
Manda repouso à dor que te devora
Destas saudades imortais.
Eia, esquece, eia, olvida essa extinta Lenora."
E o Corvo disse: "Nunca mais."

"Profeta, ou o que quer que sejas!
Ave ou demônio que negrejas!
Profeta sempre, escuta: Ou venhas tu do inferno
Onde reside o mal eterno,
Ou simplesmente náufrago escapado
Venhas do temporal que te há lançado
Nesta casa onde o Horror, o Horror profundo
Tem os seus lares triunfais,
Dize-me: "Existe acaso um bálsamo no mundo?"
E o Corvo disse: "Nunca mais."

"Profeta, ou o que quer que sejas!
Ave ou demônio que negrejas!
Profeta sempre, escuta, atende, escuta, atende!
Por esse céu que além se estende,
Pelo Deus que ambos adoramos, fala,
Dize a esta alma se é dado inda escutá-la
No Éden celeste a virgem que ela chora
Nestes retiros sepulcrais.
Essa que ora nos céus anjos chamam Lenora!"
E o Corvo disse: "Nunca mais."

"Ave ou demônio que negrejas!
Profeta, ou o que quer que sejas!
Cessa, ai, cessa!, clamei, levantando-me, cessa!
Regressa ao temporal, regressa
À tua noite, deixa-me comigo.
Vai-te, não fica no meu casto abrigo
Pluma que lembre essa mentira tua,
Tira-me ao peito essas fatais
Garras que abrindo vão a minha dor já crua."
E o Corvo disse: "Nunca mais."

E o Corvo aí fica; ei-lo trepado
No branco mármore lavrado
Da antiga Palas; ei-lo imutável, ferrenho.
Parece, ao ver-lhe o duro cenho,
Um demônio sonhando. A luz caída
Do lampião sobre a ave aborrecida
No chão espraia a triste sombra; e fora
Daquelas linhas funerais
Que flutuam no chão, a minha alma que chora
Não sai mais, nunca, nunca mais!
Edgar Allan Poe
Fonte: Gost sin, Google, Wikipédia, Dark side, O pensador








Euclides da Cunha nasceu no Rio de Janeiro, em 20 de janeiro de 1866 e morreu neste mesmo estado, em 1909, aos 43 anos de idade.

Era engenheiro, porém seu talento literário não passava despercebido, e, logo recebeu um convite para ser correspondente do jornal “O Estado de S.Paulo”, este fato ocorreu durante o período da Guerra de Canudos. 

Posteriormente, escreveu sobre esta revolta no livro: Os Sertões, obra que atingiu um grande sucesso. Nesta obra ele faz ainda uma análise brilhante da psicologia do sertanejo e de seus costumes. Escreveu também: Peru versus Bolívia, Contrastes e Confrontos e A Margem da História. 

Sua vida privada foi repleta de contrariedades e grandes dificuldades financeiras. No ano de 1909 ele prestou concurso para o magistério. Apesar de ter sido aprovado ele não teve tempo de assumir o cargo, pois, foi assassinado pouco tempo depois. Sua obra é reconhecida até os dias de hoje e seus livros são lidos pelos apreciadores da literatura brasileira.

Principais obras de Euclides da Cunha (textos, artigos e livros)

- Em viagem: folhetim. O Democrata, 1884. 
- A flor do cárcere. Revista da Família Acadêmica, 1887. 
- A Pátria e a Dinastia. A Província de São Paulo,1888. 
- Estâncias. Revista da Família Acadêmica, 1888. 
- Fazendo versos, 1888.  
- Atos e palavras. A Província de São Paulo,1889. 
- Da corte. A Província de São Paulo, 1889. 
- Divagando. Democracia, 1890. 
- O ex-imperador. 1890. 
- Da penumbra. 1892. 
- A dinamite. Gazeta de Notícias, 1894.
- Anchieta. O Estado de São Paulo,1897. 
- Canudos: diário de uma expedição. O Estado de São Paulo, 1897. 
- O Argentaurum. O Estado de S. Paulo, 1897. 
- O batalhão de São Paulo. 1897. 
- O "Brasil mental". O Estado de S. Paulo,1898. 
- Fronteira sul do Amazonas. O Estado de S. Paulo, 1898. 
- A guerra no sertão 1899. 
- As secas do Norte. 1900. 
- O Brasil no século XIX. 1901. 
- Os Sertões: 1902. 
- Ao longo de uma estrada. 1902. 
- Olhemos para os sertões. O Estado de São Paulo, 1902. 
- A arcádia da Alemanha. 1904. 
- Civilização, 1904. 
- Conflito inevitável, 1904. 
- Um velho problema. 1904. 
- Os nossos "autógrafos". Renascença, 1906. 
- Contrastes e confrontos. 1907
- Peru 'versus' Bolívia. 1907.
- Castro Alves e seu tempo. 1907. 
- Entre os seringais. 1906. 
- O valor de um símbolo. 1907.
- Numa volta do passado, 1908. 
- A última visita. Jornal do Comercio, Rio de Janeiro, 1908. 
- Amazônia. Revista Americana, 1909. 

Rimas

Ontem - quando, soberba, escarnecias
Dessa minha paixão - louca - suprema
E no teu lábio, essa rósea algema,
A minha vida - gélida - prendias...

Eu meditava em loucas utopias, 
Tentava resolver grave problema...
Como engastar tua alma num poema? 
E eu não chorava quando tu te rias...

Hoje, que vivo desse amor ansioso
E és minha - és minha, extraordinária sorte, 
Hoje eu sou triste sendo tão ditoso!

E tremo e choro - pressentindo - forte, 
Vibrar, dentro em meu peito, fervoroso, 
Esse excesso de vida - que é a morte...

Fonte: O Pensador, Google,Wikipédia