quinta-feira, 2 de março de 2017

Alguém me contou...sobre A Noiva da Janela


Na rua 13 havia uma casa, na qual possuirá muitos e muitos anos, mais mesmo assim sendo tão antiga, mantinha uma belíssima aparência, como se alguém a constatemente fizesse manutenção, era a casa mais bonita da rua.

Aqui em Minas havia muitas casas bonitas de se ver, com lindos jardins floridos, mais essa casa em questão não chamava a atenção somente por seus bons tratos e seu belo jardim.

Vivia lá uma moça, a Rosa, morena, curvas perfeitas, cabelos longos cor de castanho, com cachos de anjo e vestida eternamente, impecavelmente de noiva. A sua beleza costumava chamar a atenção de todos, especialmente dos homens, assim como seus trajes.

Ela dizia estar esperando o noivo, Aderbal por isso não saia da janela, queria ser a primeira a avista-lo. Era sempre muito cortês, conversando com todos e ofertando uma sombra, uma água, um café. O único problema era que víamos todos entrarem, mais estranhamente, não o víamos saírem.

Com o tempo, a fama da noiva da janela de que todo aquele que se atrevia a aceitar o seu convite para adentrar em sua casa espalhou-se rapidamente, fazendo com que a rua que antes era tão viva morresse a cada dia, restando apenas a Rosa em sua velha linda janela azul.

Todos diziam que a rua era mal assombrada, amaldiçoada, que ninguém em sã consciência deveria ir lá, o tempo passou e as histórias de fantasma da mesma forma que surgiu, desapareceram, assim como a memória dos antigos que aos poucos se foram.

Certo dia uma moça, humilde, vinda do interior, tomara a condução errada e foi deixada justamente na entrada dessa rua. Sem conhecer sua terrível fama, começou a andar pela rua, suja, cheia de tabuas nas casas, que já se encontravam em grande maioria, aos pedaços, ventava e jornais voavam por entre suas pernas, mais aquilo não a assustou. De repente o vento faceiro que só, levantara voo com o seu chapéu, Vera correu rapidamente para alcança-lo rua abaixo, conseguindo pega-lo em um lindo jardim de flores azuis.
Vera deslumbrou-se com aquela visão, aquela casa era atípica a todas as outras, afinal era a unica casa em seu mais perfeito estado, naquela rua. Resolvera sentar-se, no banco para descansar ofegante depois da longa corrida, até que fora surpreendida por uma bela mulher vestida de noiva.

olá está com sede? 

Não obrigada, desculpe-me, não pretendia...

Imagina, está todo bem, gosto de receber visitas, me sinto tão sozinha enquanto meu noivo não vem. Vamos, entre, lhe servirei uma xicará de chá.

Vera entrara em silencio, ao mesmo tempo mais intrigada do que receosa com o fato daquela moça tão bonita viver ali naquela rua tão feia e deserta. Rosa indicara a cozinha a Vera como um sinal de que a mesma poderia ficar a vontade. Porém Vera apesar de jovem, era espirita, um espirito de muita luz. E ao entrar na cozinha o que Vera viu foi a mais terrível visão do terror:

Na bacia onde Rosa dissera que havia chá, na verdade estava cheia de sangue, ao lado, a cabeça de um homem ainda se decompondo, um antebraço do outro, debaixo da pia, outro esqueleto de mais um homem, ao andar para trás sentiu algo, ao se virar uma corda bem grossa com outro esqueleto nela de mais um homem, Vera dera um grito de pavor e olhara em volta se vendo no que parecia mais um tapete de ossos do que o próprio chão.

Sabe: é a primeira vez que uma mulher vem aqui. 
Parece que elas fingem que não me veem, só os homens entram para me fazerem companhia.
Mais você foi a primeira que a muito tempo vem aqui.
Agora ficará para sempre e seremos grandes amigas!


Não por favor, não me machuque, eu vou embora prometo- disse Vera. Nada lhe fiz de mal, eu posso te ajudar, eu e os meus irmãos de luz. Me conte a sua história, deixe-me ajudar.

Rosa relatara toda sua história, enquanto Vera a assitia calada. Como conhecera o seu grande amor, Aderbal, como ele prometera terminar o namoro para casar-se com ela, o quanto se amavam, até o fatídico dia do seu casamento cujo noivo não comparecera. Rosa entrara em depressão, chorava dias e noites chamando por um amor que nunca viria, sua dor fora tamanha que após um ano de espera pelo seu amado, ainda vestida de noiva, Rosa cortara seus pulsos, sangrando até a morte.

Sua família, amigos choraram muito no seu enterro, Aderbal desaparecera e nunca voltara para sequer dar alguma satisfação, abalados com a tragédia, sua família mudara de cidade.Abandonando sua velha casa. Mais Rosa não conseguiu partir, não podia, Aderbal seu grande amor viria! Ela sabia que viria, algo aconteceu, e ela tinha certeza que com a sua chegada tudo se esclareceria.

Ao fim do relato, Vera que a todo momento permanecera em silencio, tinha uma revelação a fazer: Não conheci o seu grande amor Aderbal, mais conheço o seu filho, Fernan, um grande irmão de luz, contarei a ele sua história, o trarei aqui, ele vai te ajudar. Após relatar aos irmãos de luz a experiencia sobrenatural espetacular que sofrera, todos concordaram em comparecer a tal casa na rua 13.

Ao chegar lá, ambos formaram um circulo, todos de branco, mãos dadas, concentrados em oração. A casa estava vazia, parecia que Rosa não se encontrava mais lá. Durante o processo de oração ela surgiu no meio da roda, gritando por socorro, suplicando por ajuda, de repente algo inesperado aconteceu:

Rosinha meu amor é você? A quanto tempo te procuro!

Aderbal a tanto te espero! Te esperei no altar e você não veio porque?
Fora tanta dor, depois um vazio, tanto sangue, mesmo assim ainda fiquei aqui, te esperando.

Meu amor, no dia do nosso casamento estava alegre, dirigindo em direção a igreja, era um lindo dia de sol eu estava muito feliz, você era tudo aquilo de que precisava. Nem vi a hora em que ela surgiu, foi tudo tão rápido, que nem tive tempo de gritar ou sentir alguma dor. 

Um caminhão atingira em cheio o carro ao lado do motorista, acertando Aderbal em cheio, ocasionando fraturas expostas principalmente na cabeça, ele ficara um ano em coma. Quando acordara o primeiro nome a clamar fora por seu amor, Rosa. Sua família disse não ter noticias dela, não a procuraram sequer para dar-lhe alguma satisfação, eram contra aquela união. Aderbal ficará transtornado e assim que recebeu alta, foi correndo para casa dela. Porém ao chegar na entrada da rua fora surpreendido por velhos conhecidos, esbravejando com ele por ter abandonado a pequena e desaparecido. Ele contara o que aconteceu e todos mesmo compreendendo a situação, permaneciam calados imoveis e com olhares de profunda tristeza e piedade, qual a melhor forma de dar a noticia?

Aderbal teve principio de depressão após saber que Rosa se matará no dia e na hora exata em que ele despertará do coma. Se sua família a tivesse avisado...dado ao menos alguma nota sequer... mais nada, ele não se conformava com aquilo.

O tempo passou e com a ajuda da sua ex namorada que desde o inicio do acidente ficara incansavelmente ao seu lado no hospital todos os dias velando seu sono profundo e que mesmo sabendo que ele nunca a amou e talvez nunca viesse a amar, ficou ao seu lado, ajudou a enfrentar aquela dor tão grande inicialmente como amiga e no final como esposa e lhe dando filhos. Ela nunca esquecera a Rosa, sempre fora bom marido, bom pai, mais ao beber todas as noites chorava contando sua linda história para o filho e quem mais a quissesse ouvir, jurando sempre que um dia eles iram se encontrar e ai sim, ele seria completamente feliz.
 Para a dor do pobre coração de sua esposa que mesmo sabendo a verdade, suportou tudo até o fim. Ele falecera aos 50 anos, jovem ainda, e até hoje seu filho Fernan nunca esquecera daquela moça na qual nunca sequer conhecera: a Rosa.

Sempre no centro, relatava essa história, era como gostava de lembrar de seu pai, em seu intimo desejava encontrar o esprito da moça e contar-lhe tudo que acontecera para que ela enfim, ficasse em paz, essa era a sua chance.


Casei, tive filhos, mais jurei todos os dias, até que o meu milésimo segundo de tempo nessa terra acabasse, que um dia iria te encontrar. Pois só com você fui feliz Rosa, apenas com você conheci o que significa a felicidade, te amo.

E assim ambos sumiram em um grande clarão forte de luz, a noiva da janela finalmente reencontrara o seu grande amor.


Após sete dias, Fernan morre em um misterioso acidente de carro aos, acabar de completar exatos, 50 anos.