quinta-feira, 8 de junho de 2017

O Parabenizando de hoje vai para: O poeta que provavelmente teve mais heterônimos na história

Um dos poetas mais importantes da literatura portuguesa, escrevera também em inglês, já morou por bastante tempo na África do Sul. Em vida, teve mais obras publicadas em inglês, a único português foi “Memórias”. Seu vasto conhecimento em línguas fez com que trabalhasse por um longo tempo com tradução.
O autor foi reconhecido pela forma que construía heterônimos, criando personalidades e estilos próprios. Alberto Caeiro, Ricardo Reis e Alvaro Campos são os heterônimos mais conhecidos da história de Fernando Pessoa. Com biografias especificas, cada autor possui textos com temas e opiniões diferentes. Caeiro é o mestre, sendo admirado por todos os outros.
Filho de Joaquim de Seabra e Maria Magdalena Pinheiro Nogueira Pessoa, Fernando Pessoas nasceu em Lisboa, Portugal. Com a morte do pai, acompanhou a mãe e o padrasto na mudança para África do Sul. Educado no país africano, o autor aprender o inglês com perfeição e publicou, inclusive, muitas obras no idioma.
O escritor trabalhou como jornalista, tradutor, editor, empresário. O conhecimento da língua portuguesa e inglesa foi essencial para que Pessoa pudesse trabalhar na tradução de livros. O autor gostava de ler as obras de importantes escritores da língua, como Lord Byron, Shakespeare e Edgard Allan Poe. Chegou a traduzir para português “O Corvo”, uma das principais histórias de Allan Poe.
Tratando-se de movimentos literários, Fernando Pessoa pode ser classificado como modernista, já que foi um dos autores que introduziu o movimento em Portugal. Junto com escritores como Mario de Sá Carneiro, Luís de Montalvo e Ronald de Carvalho, Pessoa publicou a revista “Orpheu” em 1915, dando início ao modernismo no país.
Seu estilo apresentava reflexões sobre identidade, noções de verdade e existencialismo. Mas é importante perceber que como escritor criou diferentes heterônimos, é possível encontrar na obra de Fernando Pessoa diferentes estilos. O autor escreveu poemas em inglês, poesias líricas e poesias históricas com caráter nacionalista.
Apesar de ser conhecido pela sua extensa poética, Pessoa chega a começar o Curso Superior de Letras em 1906, mas larga antes de completar o ano. Nessa época, os sermões do Padre Vieira caem no gosto do poeta. Em 1907, o autor monta uma tipografia com o dinheiro que herda da avó, mas logo declara falência.
Pessoa escreveu os primeiros poemas em inglês em 1901. Dos livros publicados em vida, apenas um foi em Português. “Mensagem”. A obra apresenta certo teor patriota. Publicado em 1934, o livro reúne poemas que falam de personagens históricos de Portugal. Pela obra, o autor ganhou o Prêmio Antero de Quental. O importante escritor ainda dirigiu a revista “Orpheu”, que foi responsável por lançar o modernismo em terras lusitanas. A última frase do famoso autor foi escrita em inglês: “I Know not what tomorrow will bring”, em português, “Eu não sei o que o amanhã trará”. Morreu com apenas 47 anos.

Heterônimos

Fernando Pessoa assumia heterônimos para escrever suas obras. Diferente de pseudônimo, o heterônimo tem estilo particular, assim como personalidade. A criação de heterônimos é uma característica importante na obra do autor, tido como misterioso justamente por isso.
Os heterônimos mais importantes são: Alvaro de Campos, Ricardo Reis e Alberto Caeiro, sendo que o terceiro influencia os demais.
Alvaro de Campos
Apesar de português, o escritor foi educado em inglês, o quem o faz sempre se sentir um estrangeiro. O poeta teve frases diferentes em sua literatura, no começo tinha proximidade com o simbolismo, depois com o futurismo e então a visão niilista ficou presente nas suas obras. Na primeira fase, é o tédio e a busca por experiências diferentes que marcam a poesia. A segunda é marcada pelo otimismo da civilização. E a terceira é mais introspectiva e apresenta uma poesia pessimista. Campos apostava em uma linguagem ousada para a época, mais livre. Ao contrário da racionalidade de Ricardo Reis, Campos coloca emoção em seus escritos. E considerado o alter ego de Pessoa.
Ricardo Reis
O médico acredita que na monarquia tinha uma escrita mais tradicional, a linguagem utilizada pelo heterônimo é culta e apresenta um lado clássico. Ricardo foi viver no Brasil quando a república foi proclamada em Portugal. Os textos de Reis foram publicados na revista “Athena” e na “Presença”. O autor acredita na busca pela tranquilidade através do epicurismo, que acredita na importância da razão estar acima da paixão e na aceitação dos limites. Como Pessoa não determinou sua morte, José Saramago, outro importante autor Português, escreveu o livro “O Ano da Morte de Ricardo Reis”.
Alberto Caeiro
É um dos heterônimos mais importantes, apesar de ser um camponês sem estudo. E classificado por Fernando Pessoa e outros heterônimos, como um mestre. Caeiro tinha um estilo direto e simples, mas a compreensão é complexa, já que o poeta faz reflexões profundas em seus escritos. Alberto só escrevia poesia, não achava possível retratar a realidade através da prosa. Contra o pensamento filosófico, o escritor acredita que sentir é mais importante que pensar. Uma das obras mais conhecidas é “O Guardador de Rebanhos”.
Bernardo Soares
Um semi-heterônimo parecido com Alvaro de Campos, muito próximo de Fernando Pessoa. Segundo o escritor, Bernardo Soares tem uma parte de sua personalidade.

Com vocês minha poesia predileta:

Todas as cartas de amor...
Fernando Pessoa (Poesias de Álvaro de Campos)

Todas as cartas de amor são
Ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem
Ridículas.

Também escrevi em meu tempo cartas de amor,   

Como as outras,
Ridículas.

As cartas de amor, se há amor,
Têm de ser
Ridículas.

Mas, afinal,
Só as criaturas que nunca escreveram
Cartas de amor
É que são
Ridículas.

Quem me dera no tempo em que escrevia
Sem dar por isso
Cartas de amor
Ridículas.

A verdade é que hoje
As minhas memórias
Dessas cartas de amor
É que são
Ridículas.

(Todas as palavras esdrúxulas,
Como os sentimentos esdrúxulos,
São naturalmente
Ridículas.)

Os versos acima, escritos com o heterônimo de Álvaro de Campos, foram extraídos do livro "Fernando Pessoa - Obra Poética", Cia. José Aguilar Editora - Rio de Janeiro, 1972, Pág. 399.

Fonte: Heterônimos de Fernando Pessoa, Wikipédia, releituras

Lindaiá Campos